Incentivar a leitura na infância não é fazer a criança ler mais cedo, mais rápido ou melhor. É fazer com que ela queira voltar ao livro. E esse desejo nasce muito antes da alfabetização.
Para muitas crianças, o primeiro contato com o livro acontece no colo de um adulto, ouvindo uma história repetida dezenas de vezes. Nesse momento, o livro ainda não é texto — é voz, imagem, gesto, afeto. É assim que a leitura começa: como experiência.

Um erro comum é associar o livro apenas à aprendizagem formal. Quando a leitura vira obrigação, tarefa ou desempenho, ela perde sua força principal: o prazer. Crianças se aproximam dos livros quando eles fazem parte da vida, não quando aparecem apenas como exigência.
Livros infantis precisam ser acessíveis ao corpo da criança. Precisam poder ser tocados, folheados, explorados. Quando o livro é tratado como algo frágil demais, ele se afasta. Quando é tratado como brinquedo, ele se aproxima. E isso não diminui seu valor — aumenta.
Outro ponto fundamental é a escolha dos livros. Nem toda criança se conecta com qualquer história. Textos longos demais, imagens pouco convidativas ou temas distantes do universo infantil podem afastar. Bons livros infantis conversam com a imaginação, respeitam o ritmo da infância e convidam à releitura.
A repetição, aliás, é uma grande aliada. Quando uma criança pede a mesma história várias vezes, ela está construindo sentido, segurança e linguagem. Livros que suportam releituras são livros que criam vínculo.
O papel do adulto é central nesse processo. Ler junto, comentar imagens, rir da história, aceitar interrupções. A leitura compartilhada mostra que o livro é um espaço de encontro — não de correção.
Formar leitores não é acelerar o processo, mas aprofundá-lo. É permitir que a criança se apaixone pelo livro antes de entendê-lo completamente. Quando isso acontece, a leitura deixa de ser uma etapa da escola e passa a ser parte da vida.
Na Lagarta, acreditamos em livros para serem devorados: livros que a criança ama, leva para a cama, pede de novo. Porque leitores não se formam por obrigação — se formam por afeto.
